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Lisbon by Sound (Pelo Som de Lisboa)

Tim Etchells e Alkantara, 2014

Em Lisbon by Sound (Pelo Som de Lisboa), Tim Etchells convida quatro artistas lisboetas para um projecto áudio online sobre a sua cidade.

 

Cada um deles – o duo de dança e performance Sofia Dias e Vítor Roriz, a coreógrafa Vera Mantero, a escritora e performer Patrícia Portela e Rui ‘Riot’ Pité (dos Buraka Som Sistema) – cria um trabalho de som de 5 a 10 minutos relacionado com um local específico à sua escolha, em Lisboa. Estas obras respondem à cidade e fazem perguntas sobre o modo como os espaços online e os espaços do mundo real podem interagir. As peças podem ser descarregadas e ouvidas in situ em cada localização específica.

Paralelamente à encomenda destas peças sonoras, serão realizados e publicados online quatro vídeos, cada um deles um diálogo entre o respectivo artista e Tim Etchells, uma espécie de continuação ou extensão da peça sonora
através da reflexão e da discussão.

lisbonbysound.alkantarafestival.pt/vera-mantero

 

Baldio

“A maior divisão entre o trabalho material e o trabalho intelectual é a separação da cidade e do campo. A oposição entre cidade e campo começa com a passagem do sistema tribal para o Estado, a passagem da localidade para a nação. A oposição entre cidade e campo é a expressão mais crassa da subordinação do indivíduo à divisão do trabalho, subordinação a uma actividade determinada que lhe é imposta [e que é apenas uma ínfima parte da produção de um objecto no seu todo, ou de uma actividade no seu todo. Dito de outro modo, ínfima parte da construção de sentido, da construção de sentido para a vida].
Esta divisão do trabalho faz, de um, um animal limitado da cidade, do outro um animal limitado do campo; e a cada dia produz mais e mais a oposição dos interesses de ambos. O trabalho é aqui a questão central, ele é o poder sobre os indivíduos, e enquanto este existir tem de existir também a propriedade privada. A abolição da oposição cidade-campo é uma das primeiras condições da comunidade. Condição que depende de um grande número de premissas materiais e que a simples vontade não consegue preencher, como qualquer pessoa vê à primeira vista”.

(in A Ideologia Alemã, de Karl Marx e Friederich Engels)


Há que re-aproximar cidade e campo.

Venha ver à segunda vista.

instruções prévias [ou algo do género, como quiserem]: se estiver em Lisboa, esta gravação deverá idealmente ser ouvida num local específico a uma hora específica. Vá até à Praça do Campo Pequeno, de preferência ao fim da tarde, perto das 19h30, entre pela rua de Entrecampos e percorra-a até não poder avançar mais, junto à linha do comboio. Aí encontrará uma passagem de peões para atravessar a linha mas não atravesse: vire para a direita passando por baixo da passagem e prossiga junto ao muro contíguo à linha. Estará a entrar num terreno baldio. Vá sempre em frente, seguindo o caminho de terra e, quando esse pequeno caminho bifurca, vire para o lado direito, subindo o pequeno declive. Terá um pequeno muro semi-destruído à sua esquerda e nele uma zona indicada para se sentar. Sente-se em cima do muro virad@ para a linha do comboio e inicie a audição da gravação. Se não estiver em Lisboa, procure uma linha de comboio dentro da cidade que seja contígua a um terreno, baldio cultivado de preferência, mas também pode ser um baldio puro.

A partir de textos de Luís Quintais, Vera Mantero e uma conferência de Carolyn Steel.

Ficha Artística

Curadoria
Tim Etchells e Alkantara

Com projectos de
Sofia Dias e Vítor Roriz
Vera Mantero
Patrícia Portela
Rui ‘Riot’ Pité

Encomenda
British Council