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Participação de Vera Mantero em

20 dancers for the XX century

de Boris Charmatz

Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois (1991)

Este solo tem um lugar cimeiro no percurso coreográfico de Vera Mantero. É um trabalho que já percorreu praticamente duas décadas e que, singularmente, continua vivo e a ser apresentado. Porquê?

Foi com este solo que a autora encontrou parte da sua identidade em termos de movimento, em termos de forma de estar em cena, em termos de instrumentos e elementos que utiliza para criar e actuar: um corpo que não descura os gestos, as mãos, o rosto, as expressões, que as inclui porque sabe que estes elementos fazem absolutamente parte do corpo-gente; que tenta constantemente agarrar aquilo que o atravessa, que tenta expor isso mesmo através das respostas de um corpo vibrátil; um corpo que embate contra o tempo-cadência e brinca com ele(s) como uma criança brinca com berlindes; um corpo que produz por vezes uma quase-fala, em sons que parecem querer ganhar contornos de palavras, em lábios que articulam palavras inaudíveis.

 

Tate Modern, Reino Unido

Ocupando todas as galerias da Tate Modern, 20 Dancers for the XX Century é uma colecção de trabalhos a solo, alguns aclamados, outros esquecidos. Através da partilha dos seus trabalhos com os visitantes, 20 performers apresentam um arquivo vivo do último século na Dança.
Com Germaine Acogny, Pat Catterson, François Chaignaud, Julie Cunningham, Colin Dunne, Brennan Gerard, Samuel Lefeuvre, Vera Mantero, Ko Murobushi, Chrysa Parkinson, Sonia Pregrad, Marlène Saldana, Frédéric Seguette, Yasutake Shimaji, Big Shush, Asha Thomas, Julian Weber, Adam Weinert, Frank Willens.

If Tate Modern was Musée de la Danse?
Começando com a questão: “E se a Tate Modern fosse o Musée de la Danse?” o projecto propõe a transformação do museu de arte através do olhar da Dança. Durante dois dias, 90 coreógrafos e bailarinos colaboram com Boris Charmatz na ocupação de todos as galerias do museu, incluindo o icónico Turbine Hall.
À medida que a Tate Modern se transforma temporariamente no Museu da Dança o projecto conjura uma visão de como a arte pode ser apresentada e percebida de forma distinta num futuro museu.

 

Ballet de l'Opéra de Paris, França

A Opéra National de Paris, em colaboração com o Musée de la danse, acolhe o projecto de Boris Charmatz, animando um arquivo vivo dos solos coreográficos mais representativos do século XX. O Paris Opéra Ballet apresenta por isso 20 Danseurs pour le XXe Siècle dando eco à história da dança com a força motriz do contexto: a subjectivação dá-se na tomada da coreografia pelo artista detentor de memória, referências e técnicas artísticas próprias, que determinarão a sua interpretação; a par deste processo, a coreografia desloca-se para um espaço público designado no Palais Garnier: o foyer, as escadas, biblioteca ou mesmo um corredor, provocando novos pontos de relação que emergem da composição original e o que agora a circunda espacialmente.
É no eixo tríade deste contexto— coreografia original, artista/intérprete e as especificidades do espaço — que iremos encontrar o arquivo vivo intencionado por Charmatz.
O espectador é convidado a percorrer o Palais Garnier, visitando com autonomia a história viva da dança do século XX, na qual encontra a criação de Vera Mantero, Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois (1991). 

 

Tanzkongress, Staatsoper Hannover, Alemanha

Com a direcção de Boris Charmatz, 20 bailarinos e performers de diferentes gerações transformam o Staatsoper Hannover num expansivo Musée de la danse (Museu da dança). Um itinerário pela história da dança do século XX, onde apresentam individualmente solos seleccionados e desenvolvidos, que começam com os pioneiros do modernismo e pós-modernismo e incluem vários estilos desde o ballet às danças urbanas. O Staatsoper com as suas espaçosas salas, corredores e átrios, torna-se num museu vivo de dança, onde o público pode passear e experienciar a história da dança de uma forma impressionante e também reviver memórias pessoais. Após apresentação no MOMA em Nova Iorque, Tate Modern em Londres e Opéra Garnier em Paris, entre outros, o Musée de la danse apresenta a versão do projecto ‘20 Dancers for the XX Century‘ criada específicamente para a abertura do Dance Congress 2016.

 

Museo Reina Sofía, Madrid, Espanha

O Museo Reina Sofía apresenta 20 Dancers for the XX Century do coreógrafo francês e actual director do Musée de la danse, Boris Charmatz. A peça conta com a participação de vinte bailarinos e performers espalhados por diferentes salas da colecção do Museu. 

20 Dancers for the XX Century está concebido como um arquivo vivo no qual vinte bailarinos de diferentes gerações interpretam, recordam, apropriam-se, explicam e transmitem excertos de uma selecção de solos do século XX, originalmente criados e interpretados por bailarinos importantes na sua área. Cada bailarino apresenta o seu próprio "museu", interagindo livremente por diversos espaços da Colecção. Com esta peça, Charmatz explora e expande a noção de museu como instituição viva, dando espaço a práticas de dança.

Parafraseando Boris Charmatz, mais do que a herança, este projecto aborda uma espécie de arqueologia: pretende extrair gestos do passado, gestos recuperados, reinterpretados pelo corpo do bailarino no presente. Desde uma perspectiva metafórica e também literal, a colecção de um museu de dança reside nos corpos dos bailarinos; o corpo é o espaço de armazenamento mais operacional: formado por gestos e habitado por memórias prontas para serem activadas, no presente e no futuro. Os bailarinos, artistas e actores que participam nesta peça são livres de eleger e recordar, de ensinar, de falar, de repetir, de reproduzir, de se apropriar dos solos que desejam. O conhecimento que possuem sobre determinadas obras pode provenir da educação ou de uma experiência interpretativa prévia, enquanto os seus exercícios podem adoptar a forma de uma apropriação selvagem ou de uma homenagem respeitosa, de uma divisão, um texto, ou da leitura de documentos. Os solos são apresentados num local à escolha dos bailarinos, são representados e desempenhados sem uma atribuição específica no espaço ou tempo. Desta forma, a ênfase é colocada na mobilidade e fluidez dos corpos: não existe um programa para seguir, nem um horário predeterminado, ninguém sabe exactamente quem apresenta o quê, nem quando, nem onde. Não obstante, todos estão convidados a debater, falar, questionar, comentar.

Cronologia

17 de Dezembro 2016, Museo Reina Sofía, Madrid, Espanha

16 de Junho 2016, Tanzkongress, Staatsoper, Hannover, Alemanha

25 de Setembro a 11 de Outubro 2015, Opéra Garnier, Paris, França

15 e 16 de Maio 2015, Tate Modern, Londres, Reino Unido