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Jurisplâncton 

de Maria Lúcia Cruz Correia e Vera Mantero, 2020

performance-conferência de Vera Mantero e debate de Maria Lúcia Cruz Correia

 

Em 2019 o FMI afirmou ter descoberto nas baleias a solução para o excesso de dióxido de carbono na atmosfera. As baleias podem salvar-nos do aquecimento global! Uh, bom, mas, hmm, isso só acontecerá SE os números de baleias nos oceanos voltarem ao que eram antes de as caçarmos intensivamente, pelo menos nos últimos 150 anos... É um grande SE... Conseguiremos convencer as baleias a entrarem num regime de reprodução frenética o mais rapidamente possível para nos salvarem?... Salvar-nos a nós, que as fizemos em fanicos?... Como convencê-las?…

Vera Mantero

 

Neste evento, Maria Lúcia Cruz Correia e Vera Mantero partilham uma pesquisa, num formato performance-debate. Procuram estimular uma consciência em torno de uma ecologia interior e colectiva, a percepção do que são crimes ambientais e a função dos direitos da natureza. São propostos diálogos entre especialistas, juristas, activistas, artistas, guardiões da natureza e a própria natureza. O formato vai ser estranho como o fundo do mar, envolvendo justiça restaurativa, performance, sexo entre baleias, rituais, participação, silêncio e um contrato com o mar.

NOTA: Devido às medidas COVID-19 aplicadas em Portugal e Bélgica, Maria Lúcia Cruz Correia não poderá estar presente ao vivo. Como alternativa, a artista estará presente por vídeo-conferência. A sua proposta enquadra-se num processo maior de pesquisa a decorrer na continuação do projecto Terra Batida e que resultará numa peça performativa de Maria Lúcia Cruz Correia em 2021.

As apresentações contam com a presença da jurista Maria Inês Gameiro (23 Nov) e da curadora e pesquisadora Margarida Mendes (24 Nov).

 

Terra Batida é uma rede de pessoas, práticas e saberes em disputa com formas de violência ecológica e políticas de abandono. O conhecimento singular e local de conflitos socioambientais, aliado à ação em rede, convocam resistência aos abusos extrativos e também pedem cuidado: para especular e fabular, para construir visões e vidências sensoriais entre mundos exauridos e exaustos. Todos os eventos do Terra Batida no Alkantara Festival são de entrada livre.

Em 2020, Terra Batida enreda intervenientes das áreas da dança, cinema, performance e artes visuais com cientistas, cooperativas e activistas com residências nas regiões de Ourique, Castro Verde, Montemor-o-Novo, Aveiro, Ílhavo e Gafanha da Nazaré. Nas residências partiu-se do acompanhamento de contextos específicos em Portugal para pensar e operar em múltiplas escalas. No contexto alentejano, discutiu-se desertificação, agricultura superintensiva e a concomitante extração de trabalho migrante, minas desactivadas e tóxicas, mares de estufas litorais, a falta de água e de gente, a conservação de espécies e outras formas de resistência comunitária. Na região de Aveiro, problematizou-se a erosão acelerada da linha costeira, o tráfego portuário, a subida do nível dos mares e a indústria de celulose. Estes problemas são matéria de conflitos sociais, raciais e interespécie.

Ao longo do Alkantara Festival 2020, a rede Terra Batida propõe um conjunto de momentos para partilha de perfomances, pesquisas e encontros no São Luiz Teatro Municipal. Neste primeiro momento de apresentação, as proponentes da rede Marta Lança e Rita Natálio conversam sobre o processo de trabalho que decorreu ao longo de 2020, as propostas em apresentação no Alkantara Festival, assim como os materiais de documentação e as perspectivas futuras de ampliação e posicionamentos desta rede.

Apresentam ainda, com o Arqueólogo e Jornalista Samuel Melro, o número especial do Jornal Mapa feito em colaboração com a rede Terra Batida.

O Mapa é um projeto de comunicação mas também um território de resistência em tempos de guerra. Através da informação, debate e discussão, propõe-se a desenvolver a crítica enquanto alimento do pensamento e de práticas de autonomia e liberdade em todos os aspetos da vida. Não está contido na zona de influência de grupos económicos ou partidos políticos de qualquer cor ou sabor. Mapa publica notícias, reportagens, investigações, crónicas, fotos, ilustrações, banda desenhada, com um olhar atento aos problemas ambientais em territórios próximos e mundiais.

Ficha Artística

Jurisplâncton
De e Com
Maria Lúcia Cruz Correia, Vera Mantero
 
Com a participação de
Maria Inês Gameiro, Margarida Mendes e outras pessoas convidadas
 
Performance-conferência de Vera Mantero
Edição Vídeo, Fotografias e Som
Hugo Coelho/Vera Mantero
 
Captação Vídeo
Hugo Coelho e Samuel Morais
 
Figurino
Aldina Jesus
 
Design Têxtil do Figurino
Cláudia Mateus e Hugo Coelho
 
Vídeos
“Snot Bot”, “Snot Bot Alaska”, “Blue whale aerial 2018” e “Earth day 5min” de Ocean Alliance/Christian Miller; “How whales mate - marine mammal adaptations”, “When Whales Walked” e “Ghost fishing” de Professor Tracey Rogers, PhD; “How whales help the climate | Whale and Dolphin Conservation” de Scholar; “Great Whale Conservancy” de Great Whale Conservancy; “Industrial Canada, Whaling: British Columbia's Least Known and Most Romantic Industry (1919)” Library and Archives Canada
 
Música
“Let's Do It” de Ella Fitzgerald, “Mondo porno” de The Blow Jobbers
 
Som
“Sperm Whales Clicking You Inside Out — James Nestor at The Interval” de Long Now Foundation
 
Entrevistas
Michael Fishbach, Great Whale Conservancy, greatwhaleconservancy.org, EUA; Mónica Almeida e Silva, IMAR-Instituto do Mar, imar.org.pt, Açores
 
Agradecimentos
Luís Freitas, Museu da Baleia da Madeira; Tiago Barbosa
 
Rede Terra Batida
Proposta Rede Terra Batida
Marta Lança e Rita Natálio 
 
Propostas Artísticas
Ana Rita Teodoro, Joana Levi, Maria Lúcia Cruz Correia, Marta Lança, Rita Natálio, Sílvia das Fadas, Vera Mantero 
 
Diálogos
Bruno Caracol, Inês Catry (com Marta Acácio), João Madeira, João Prates Ruivo, Luísa Homem, Maria Inês Gameiro, Margarida Mendes, Miguel Rego, Samuel Melro, Sílvia das Fadas, Teresa Castro 
 
Encontros
Comunidade dos Aivados, Cooperativa Integral Minga Montemor, Circuito Arqueológico de Castro Cola, Herdade Freixo do Meio, Fonte de Água Santa de São Miguel, Herdade Monte dos Gregórios, Passeio de Identificação de Plantas Comestíveis e Medicinais (Évora), Projecto conservação de aves estepárias (Campo Branco) 
 
Proposta Cénica
Leticia Skrycky 
 
Equipa Editorial Plataforma Digital
Marta Mestre, Margarida Mendes 
 
Design e Criação Plataforma Digital
ATLAS projectos/Nuno da Luz 
 
Parceria Media
Jornal Mapa, BUALA 
 
Produção Executiva
Associação Parasita 
 
Produtora
Claraluz Keiser 
 
Co-produção
Alkantara 
 
Apoios
Câmara Municipal de Lisboa, Câmara Municipal de Ourique, Câmara Municipal de Aveiro 
 
Residências
Monte das Doceitas, Espaço do Tempo, Alkantara, Estúdios Victor Córdon, 23 Milhas, Not a Museum, CCB, Penh Asco
 
Parasita e Alkantara são estruturas financiadas pela República Portuguesa-Ministério da Cultura/ Direcção-Geral das Artes