Henrique Furtado Vieira

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Tempos Cruzados: oficina artística intergeracional

com Henrique Furtado Vieira, 2024

Workshop: 24 a 28 Junho, das 10h-13h e 14h30-17h30

Apresentação pública: 28 Junho, Auditório da Biblioteca Orlando Ribeiro (hora a confirmar) 

Sótão da UTIL, na Junta de Freguesia do Lumiar, Lisboa

Seniores e jovens, duas faixas da população tendencialmente desempregadas. Uns porque estão reformados. Os outros porque ainda não entraram no mercado de trabalho. Esta condição comum e partilhada é o ponto de partida para esta oficina, onde se pretende encarar o estar “desempregado” ou “reformado” como algo auspicioso.

A base da oficina consiste num banco de tempo. Cada participante dá uma a duas horas do seu tempo a outro participante, quer seja ensinando-lhe uma competência, transmitindo-lhe um conhecimento ou um saber, fornecendo-lhe um serviço, proporcionando-lhe uma experiência ou concedendo-lhe algum tipo de projeto, artístico ou outro, etc, sem distinção de tipo ou dificuldade da função. Em compensação, receberá uma hora do tempo de outro participante. Desta forma, as ações e os benefícios são distribuídos com equilíbrio por todo o sistema, num modo de intercâmbio alternativo de trabalho e bem-viver, próximo da economia da dádiva, que pretende questionar os conceitos e as características do que consideramos “valor” e “trabalho”, pondo aqui, nesta oficina, frente a frente, pontos de vista de pessoas que já não estão empregadas e pontos de vista de pessoas que ainda não estão empregadas.

A oficina consistirá também numa espécie de escola, no sentido mais próximo da sua etimologia: a palavra escola deriva do grego scholé, que significa “folga ou ócio”. Na sua origem, a escola seria um tempo livre em que pessoas se juntavam para «fazer nada», passar tempo, e onde seria possível ter uma conversa e/ou partilhar experiências interessantes e educativas.

Assim, cada participante será convidado a conceber, concretizar e eventualmente documentar um “momento” com outro participante, a partir das suas histórias e bagagens pessoais. Serão depois propostas atividades que permitirão processar, refletir acerca dos “momentos” partilhados, traduzi-los em objetos artísticos e performativos: exercícios coreográficos, de escrita, de fala, de reativação em grupo desses “momentos”, etc... No final, haverá uma apresentação pública aberta à comunidade.


Público-alvo: Crianças e jovens entre os 8 e os 16 anos, seniores maiores de 55 anos de idade.
- Lotação: 20 participantes
- Inscrições: a cargo da Junta de Freguesia do Lumiar

 

Ficha Artística

Henrique Furtado Vieira

Formado em engenharia de energia e meio ambiente, atualmente bailarino, performer e coreógrafo, Henrique Furtado Vieira vive em Lisboa. Efectuou a sua formação artística em várias instituições francesas (INSA de Lyon, Extensions – CDC de Toulouse, Prototype II e Dialogues III – Abadia de Royaumont). Desenvolve a sua prática artística principalmente entre a criação coreográfica e a colaboração como intérprete com vários artistas tais como Bleuène Madelaine, Eric Languet, Aurélien Richard, Céline Cartillier, Tino Sehgal, Salomé Lamas, André Uerba, Sofia Dias & Vítor Roriz, Ana Renata Polónia, Vera Mantero, Boris Charmatz e Tania Soubry. Pontualmente dedica-se à investigação, à pedagogia e à escrita em relação com a dança, em diferentes contextos e através de múltiplas parcerias (O Rumo do Fumo, Unlock Dancing Plaza, Ballet Contemporâneo do Norte, Colectivo 84, Comédias do Minho, GrETUA...), e mais recentemente tem estado envolvido como dramaturgista nas coreografias de Nicolas Hubert (Compagnie Épiderme) e de Giulia Arduca (Compagnie Ke Kosa). Fez a curadoria da segunda edição do projeto MATÉRIA, juntamente com Catarina Vieira e Josefa Pereira, organizando encontros, abertos à comunidade, com regularidade mensal, para a partilha de práticas artísticas. Os seus trabalhos são frequentemente criados em sinergia com outros artistas como em Bibi Ha Bibi, com Aloun Marchal, em Stand still you ever-moving spheres of heaven, com Chiara Taviani, ou em Morrer pelos Passarinhos, com Lígia Soares. Nos seus espectáculos / performances destaca-se a sobreposição de estilos e de géneros, a presença vocal na dança e o(s) espaço(s) da imaginação. Tem colaborado e apresentado o seu trabalho em instituições como Aerowaves, CDC Toulouse, Festival de teatro e dança de Goteborg, Festival Roma Europa, rede europeia DNA, Teatro Municipal do Porto, Festival Temps d’Image, Espaço do Tempo, CCB, entre outros.