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Anarquismos de Pablo Fidalgo, 2018

1. A ANARQUIA É A HISTÓRIA SILENCIADA DE UMA FENDA NA HISTÓRIA

2. UMA FENDA NA HISTÓRIA SINALIZA A POSSIBILIDADE PARA UM DIFERENTE ESTILO DE VIDA

3. A ANARQUIA ERA UM DIFERENTE ESTILO DE VIDA QUE NÃO PERMANECEU COMO POSSIBILIDADE

4. A ANARQUIA ERA UM DIFERENTE ESTILO DE VIDA QUE PERMANECEU FORA DA HISTÓRIA

5. A ANARQUIA DESAPARECEU DA HISTÓRIA MAS CONTINUOU NOS CORPOS

6. OS CORPOS TOCARAM OUTROS CORPOS, E OUTROS CORPOS, E OUTROS CORPOS...

7. A ANARQUIA PERMANECEU NOS GESTOS DOS CORPOS

8. OS GESTOS PASSARAM DE UM CORPO PARA OUTRO, E PARA OUTRO , E PARA OUTRO

9. E CHEGARAM A NÓS

10. O GESTO ANÁRQUICO ESTÁ EM NÓS

 

A história da anarquia em Espanha é completamente desconhecida e sistematicamente escondida. A primeira questão é: como sobrevive o gesto anárquico hoje? Em que corpos mora? Do livro "The Short Summer of Anarchy", de Enzensberger, questionamos as diferentes formas de escrever história e de fazer história. É curioso que um dos documentos mais valiosos da anarquia tenha sido escrito por um alemão, que realizou entrevistas, de forma furtiva, no final dos anos 80. No entanto, nesse livro, desenha-se uma comunidade com um espírito forte e uma necessidade de deixar viva a memória de formas de existência e de relacionamento diferentes. Em nenhum outro país a anarquia chegou tão longe, teve tantos afiliados e tanto poder como em Espanha, no período de Verão em 1936 até 1939, especialmente nas regiões da Catalunha e Aragão.

No Verão de 2005, quatro jovens estudantes de teatro decidem viver juntos num bairro de Madrid e construir uma biografia de grupo, em que vivem, comem, escrevem e dormem juntos. Esta é uma história que se desenrola, uma história que termina como todas as histórias de comunidades. No palco, os três membros do grupo (1, 2 e 3) falam sobre 0, que desapareceu há algum tempo e sem qualquer promessa de voltar para a casa. Desprovidos de nome e identidade, palavra e movimento, irão reconstruir uma história complexa, com jogos de poder, onde ninguém é bem tratado e onde se reproduzem padrões familiares baseados no silêncio e no medo. Assim, descobriremos as dificuldades e o quotidiano de jovens que tentam inventar um outro mundo, um sistema e uma forma de criar própria e única. Perguntamo-nos: quanta inteligência, quanta resistência é necessária para viver fora do mundo, ou com um pé dentro e um fora? E com a distância dos anos perguntamo-nos: o que é necessário para chegar ao fim, assumir o fracasso? O que é necessário para resgatar os gestos do que não podia ser?

No palco

Um cenário muito simples. No centro da cena será desenhada uma casa. A história dessas quatro pessoas será revelada, como uma óptima história de amor e violência, através dos detalhes e do resgate de fragmentos de jornais e objectos. Uma história cortada abruptamente pela fuga ou viagem de um deles. Seguindo uma lógica de contadores de histórias tradicionais, sem cenário, os três intérpretes procurarão estes gestos de resistência: rir em momentos inapropriados, os assassinatos em Vitória em 76, um jogo de futebol em Vilanova de Arousa em 82, as comunas curdas em Rojava, a morte de Blanquita, a falta de dinheiro, as cartas dos avós, uma viagem de carro pela região de Cantábria, um passeio a pé ao longo do rio Guadiana, uma viagem à Patagónia, os amigos que não poderão viver da sua arte, a coluna de Durruti, os textos de Simone Weil, Casas Viejas, a anarquia ocupa o lugar da religião, que religião? Os trabalhadores conscientes, os gestos de Enzensberger, Antonio B. El Ruso, os velhos que ainda vivem para contar, os gestos de amor, as comunidades impossíveis, as infâncias impossíveis...

A anarquia está presente nos gestos, no que dizemos a nós próprios, nos gestos de amor que fazemos, na fuga da história que abre outro mundo. Num espaço em branco, os corpos serão lidos como um texto (uma paisagem) sobre um país que nunca será o que poderia ter sido, mas tem que suportar os gestos daqueles que não esquecem, daqueles que lêem, daqueles que não querem ficar presos.

Ficha Artística

Texto e Direcção Artística
Pablo Fidalgo
 
Intérpretes 
Angela Millano, Cláudio da Silva, Vânia Rovisco
 
Direcção de Produção e Itinerância
O Rumo do Fumo

Produção Executiva e Assistente de Direcção Artística
Amalia Area
 
Co-produção
Maria Matos Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto, Théâtre de la Ville - Paris, Centro Dramático Galego e Festival BAD Bilbao
 
Apoio
Câmara Municipal de Lisboa / Polo Cultural Gaivotas | Boavista, EGEAC, Causas Comuns, Teatro do Eléctrico

Com o apoio de Festival de Otoño de Madrid e Marche Teatro / Villa Nappi Residences
25 - 20
Junho - Julho
2018

Anarquismos de Pablo Fidalgo

Residência Artística - O Rumo do Fumo e Causas Comuns/Teatro do Eléctrico, Espaço da Penha, Lisboa, Portugal

nova criação

o-produção Maria Matos Teatro Municipal, Théâtre de la Ville, Teatro Municipal do Porto, Centro Dramático Galego/Agadic/Xunta de Galicia, Festival BAD Bilbao, MA scène nationale - Pays de Montbéliard et Le Granit, Scène nationale de Belfort. apoio Festival de Otoño de Madrid, Marche Teatro / Villa Nappi Residences, NAVE Santiago de Chile, Câmara Municipal de Lisboa / Polo Cultural Gaivotas | Boavista, EGEAC, Causas Comuns, Teatro do Eléctrico

07 - 17
Agosto
2018

Anarquismos de Pablo Fidalgo

Residência Artística - Causas Comuns, Espaço da Penha, Lisboa, Portugal

nova criação

co-produção Théâtre de la Ville - Paris, Maria Matos Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto, Centro Dramático Galego e Festival BAD, apoio Festival de Otoño e Marche Teatro / Villa Nappi Residences

20 - 07
Agosto - Setembro
2018

Anarquismos de Pablo Fidalgo

Residência Artística - O Rumo do Fumo, Espaço da Penha, Lisboa, Portugal

nova criação

co-produção Théâtre de la Ville - Paris, Maria Matos Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto, Centro Dramático Galego e Festival BAD, apoio Festival de Otoño e Marche Teatro / Villa Nappi Residences

04 - 07
Outubro
2018

Anarquismos de Pablo Fidalgo

Estreia - Maria Matos Teatro Municipal, Lisboa, Portugal

nova criação

co-produção Théâtre de la Ville - Paris, Maria Matos Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto, Centro Dramático Galego e Festival BAD, apoio Festival de Otoño e Marche Teatro / Villa Nappi Residences

23
Outubro
2018

Anarquismos de Pablo Fidalgo

Bilbau, Espanha

nova criação

co-produção Théâtre de la Ville - Paris, Maria Matos Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto, Centro Dramático Galego e Festival BAD, apoio Festival de Otoño e Marche Teatro / Villa Nappi Residences

no âmbito do Festival BAD