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As Práticas Propiciatórias dos Acontecimentos Futuros de Vera Mantero, 2018

A arte erudita tem uma história e uma pedagogia. As suas formas e procedimentos foram herdados (ou questionados) pelos seus artistas. De onde vêm as formas da arte popular? Esta era uma das principais questões de Ernesto de Sousa (1921 - 1988) sobre a arte popular. Entre 1966 e 1968, o artista multidisciplinar, curador, professor, realizador, investigador e crítico de arte, próximo do movimento Fluxus, recebeu uma bolsa da Fundação Gulbenkian para levar a cabo um levantamento fotográfico da escultura popular em Portugal. Viajou pelo país, entrevistando artistas e fotografando obras, acumulando uma colecção de 3000 negativos ainda largamente desconhecida. Como muitos outros da sua geração, estava interessado numa história da arte alternativa, ou até de “anti-arte”, para tomar de empréstimo as palavras do situacionista Asger Jorn.

A historiadora de arte Paula Pinto e pesquisadora deste arquivo sentiu que o material merecia uma abordagem diferente e encorajou Vera Mantero a desenvolver um espectáculo baseado na colecção. Mantero viajou por Portugal seguindo as pegadas de Ernesto de Sousa como parte da sua “pesquisa através do corpo e da acção” sobre os materiais e questões contidas no arquivo.

“Práticas propiciatórias de acontecimentos futuros” é aquilo que Sousa encontrou na arte popular. Uma arte na qual ele reconhecia a existência de autores e não apenas formas tradicionais transmitidas, uma arte de soluções formais em vez de simples repetições de padrões. Como habitualmente no seu trabalho, Mantero explora imagens, objectos e textos, além de materiais puramente coreográficos. Aqui, olha não só para os estudos de Ernesto de Sousa em torno da arte popular como também para o impressionante trabalho intermedia de Sousa, cartografando as ligações possíveis (e impossíveis) entre arte popular e erudita, arcaica e contemporânea.

 
Fotografia: ES-CPB6-4199 Ernesto de Sousa, fotografias da oficina do santeiro José Ferreira Thedim, S. José com o Menino (ainda por desbastar), São Mamede do Coronado, 1968. Película, gelatina sal de prata, P/B, 6x6cm. Colecção Isabel Alves em depósito na Direcção-Geral do Património Cultural / Arquivo de Documentação Fotográfica

Ficha Artística

Direcção Artística
Vera Mantero

Interpretação e co-criação
Henrique Furtado Vieira, Paulo Quedas e Vânia Rovisco

Assistência
Inês Cartaxo e Tiago Barbosa

Apoio à Investigação
Isabel Alves e Paula Pinto*
 
Espaço e Elementos Cénicos
André Guedes e equipa

Som e Objectos Sonoros
João Bento

Desenho de Luz e Direcção Técnica
Hugo Coelho – Aldeia da Luz

Figurinos
Carlota Lagido

Adereços
Rita Rosa Pico
 
Produção
O Rumo do Fumo
 
Projecto apoiado pela Fondation d’Entreprise Hermès no âmbito do programa New Settings

Co-produção
Alkantara Festival, Teatro Municipal do Porto
 
Apoio
Câmara Municipal de Lisboa

Agradecimentos
Centro de Estudos Multidisciplinares Ernesto de Sousa (CEMES), Direcção-Geral do Património Cultural / Arquivo de Documentação Fotográfica (DGPC/ADF), Bienal de Cerveira, 23 Milhas - Fábrica das Ideias da Gafanha da Nazaré, Casa Branca, Casa da Cultura da Trofa, CML/DMEV/Quinta da Fonte, DeVIR/CaPA, Doclisboa, Fundação de Serralves/Paula Fernandes, Museu Nacional de Etnologia, Museu Municipal de Esposende, Museu de Olaria, Ana Baliza, António Thedim, Augusto Manuel de Azevedo Ferreira, Daniel Worm, Francisco e Manuel Joaquim Esteves Lima (irmãos Mistério), Hugo Canoilas, João Fiadeiro, João Vieira/Biblioteca de Arte e Arquivos - Fundação Calouste Gulbenkian, Júlia e António Ramalho, Manuel Fernando Neto, Nuno Gonçalo Santos, Rosa Côta, Zacarias Thedim

* Investigação feita a partir da exposição ERNESTO DE SOUSA: “A MÃO DIREITA NÃO SABE O QUE A ESQUERDA ANDA A FAZER…” com curadoria de Paula Pinto para a XIX Bienal de Cerveira (2017).
 
07 - 22
Março - Maio
2018

As Práticas Propiciatórias dos Acontecimentos Futuros de Vera Mantero

Residência Artística - O Rumo do Fumo, Espaço da Penha, Lisboa, Portugal

co-produção Alkantara Festival e Teatro Municipal do Porto. Rivoli. Campo Alegre, apoio Fondation d’Entreprise Hermès no âmbito do programa New Settings

23 - 28
Maio
2018

As Práticas Propiciatórias dos Acontecimentos Futuros de Vera Mantero

Ensaios - Culturgest, Lisboa, Portugal

co-produção Alkantara Festival e Teatro Municipal do Porto. Rivoli. Campo Alegre, apoio Fondation d’Entreprise Hermès no âmbito do programa New Settings

29 - 31
Maio
2018

As Práticas Propiciatórias dos Acontecimentos Futuros de Vera Mantero

Estreia - Culturgest, Lisboa, Portugal

co-produção Alkantara Festival e Teatro Municipal do Porto. Rivoli. Campo Alegre, apoio Fondation d’Entreprise Hermès no âmbito do programa New Settings

08
Junho
2018

As Práticas Propiciatórias dos Acontecimentos Futuros de Vera Mantero

TAGV, Coimbra, Portugal

co-produção Alkantara Festival e Teatro Municipal do Porto. Rivoli. Campo Alegre, apoio Fondation d’Entreprise Hermès no âmbito do programa New Settings

13 - 14
Dezembro
2018

As Práticas Propiciatórias dos Acontecimentos Futuros de Vera Mantero

Théâtre de la Cité internationale, Paris, França

co-produção Alkantara Festival e Teatro Municipal do Porto. Rivoli. Campo Alegre, apoio Fondation d’Entreprise Hermès no âmbito do programa New Settings