Gostavas de receber uma performance em tua casa?
“Quando os Anjos Falam de Amor” é uma performance-ritual que acontece dentro das casas e com quem nelas habita. Inspirada nos Caça-Fantasmas, uma equipa de quatro intérpretes visita famílias e constelações afetivas para abrir um espaço de escuta e imaginação coletiva, convocando as presenças invisíveis que atravessam a intimidade: lutos, legados, memórias, sonhos e formas diversas de amar.
Cada sessão transforma a casa num território ritual, feito de histórias partilhadas, jogos, gestos oraculares, palavras de luta, oferendas afetivas, danças silenciosas e objetos do quotidiano que ganham novos sentidos. No encontro entre anfitriões e visitantes, entre cuidado e contradição, entre riso e comoção, abre-se uma pergunta: e se a intimidade pudesse ser um lugar seguro?
A performance cruza o pensamento de pessoas como bell hooks, Edouard Louis, Alexandre Coimbra Amaral e Marshall Rosenberg, evocando anjos não como entidades salvadoras, mas como presenças internas, celulares, que sussurram outras formas de amar - menos idealizadas e mais encarnadas. Estes anjos não têm asas: têm carne, dúvidas e desejo de aprender.
"Quando os Anjos Falam de Amor" é um chamamento para que, entre os escombros do que herdámos, possamos imaginar vínculos mais justos, relações mais vivas e cultivar um amor íntimo, coletivo e radical.
Este trabalho nasce de um processo pessoal de perda e tentativa de compreensão: a ruptura de um núcleo familiar profundamente desejado, o luto por um projeto de vida que se desfez e a vontade de oferecer, à minha filha e ao mundo, outra visão possível de “família” - uma onde o amor se manifeste como prática quotidiana, e não apenas como promessa ou ideal. Para tratar estas questões, convidei colaboradoras próximas a juntarem-se a mim neste processo, trazendo também as suas próprias histórias de amor e violência. Juntas, damos corpo a uma resposta performativa que é, ao mesmo tempo, escuta, exposição e tentativa de reparação.