A vulnerabilidade enquanto potência performativa é uma oficina de pesquisa que investiga a vulnerabilidade não como um conteúdo psicológico a expor, mas como uma condição de presença e uma potência de ação.
Partindo da relação entre corpo, palavra e interioridade, a oficina propõe explorar aquilo que acontece quando damos ao corpo condições para dizer o que está a acontecer, para imaginar o que ainda não aconteceu e para agir a partir daquilo que, dentro de nós, nos move. A palavra é aqui entendida como uma prática incorporada: não se trata simplesmente de falar sobre uma experiência, mas de observar como pensamentos, sensações, emoções, necessidades, memórias e imagens podem tornar-se matéria de ação e de criação.
A partir de exercícios de movimento, descrição, prescrição, improvisação, escuta e relação, exploram-se também diferentes funções teatrais (ator, narrador e “didascaliador”) e as suas possíveis sobreposições no corpo de quem performa.
A oficina é atravessada por uma pergunta: o que pode acontecer performativamente quando não tentamos representar a nossa vulnerabilidade, mas criamos condições para escutar aquilo que está vivo em nós e deixamos que isso tenha consequências na ação?
A vulnerabilidade é, assim, entendida como uma possibilidade de escolha e de agência: não é dizer tudo, nem tornar a intimidade pública, mas poder reconhecer o que se passa em nós, escolher o que queremos tornar visível e correr o risco relacional inerente a essa escolha.
A oficina cruza investigação coreográfica e performativa, práticas de palavra incorporada, T'chi Clown e Comunicação Empática, colocando em diálogo corpo e linguagem, interioridade e ação, desejo e relação, consentimento e criação.
Ficha técnica
Henrique Furtado Vieira
Formado em engenharia de energia e meio ambiente, atualmente bailarino, performer e coreógrafo, Henrique Furtado Vieira vive em Lisboa. Efectuou a sua formação artística em várias instituições francesas (INSA de Lyon, Extensions – CDC de Toulouse, Prototype II e Dialogues III – Abadia de Royaumont). Desenvolve a sua prática artística principalmente entre a criação coreográfica e a colaboração como intérprete com vários artistas tais como Bleuène Madelaine, Eric Languet, Aurélien Richard, Céline Cartillier, Tino Sehgal, Salomé Lamas, André Uerba, Sofia Dias & Vítor Roriz, Ana Renata Polónia, Vera Mantero, Boris Charmatz e Tania Soubry. Pontualmente dedica-se à investigação, à pedagogia e à escrita em relação com a dança, em diferentes contextos e através de múltiplas parcerias (O Rumo do Fumo, Unlock Dancing Plaza, Ballet Contemporâneo do Norte, Colectivo 84, Comédias do Minho, GrETUA...), e mais recentemente tem estado envolvido como dramaturgista nas coreografias de Nicolas Hubert (Compagnie Épiderme) e de Giulia Arduca (Compagnie Ke Kosa). Fez a curadoria da segunda edição do projeto MATÉRIA, juntamente com Catarina Vieira e Josefa Pereira, organizando encontros, abertos à comunidade, com regularidade mensal, para a partilha de práticas artísticas. Os seus trabalhos são frequentemente criados em sinergia com outros artistas como em Bibi Ha Bibi, com Aloun Marchal, em Stand still you ever-moving spheres of heaven, com Chiara Taviani, ou em Morrer pelos Passarinhos, com Lígia Soares. Nos seus espectáculos / performances destaca-se a sobreposição de estilos e de géneros, a presença vocal na dança e o(s) espaço(s) da imaginação. Tem colaborado e apresentado o seu trabalho em instituições como Aerowaves, CDC Toulouse, Festival de teatro e dança de Goteborg, Festival Roma Europa, rede europeia DNA, Teatro Municipal do Porto, Festival Temps d’Image, Espaço do Tempo, CCB, entre outros.