Henrique Furtado Vieira e Lígia Soares juntam-se, pela primeira vez, numa criação para estudar, reproduzir e reinventar formas artísticas resultantes de sistemas em colapso e, com isso, criar uma coleção de performances baseada na relação histórica entre a crise e a emergência de diferentes vanguardas artísticas. "Morrer Pelos Passarinhos” visa encontrar formas de partilhar significativamente com o público o fim de um mundo conforme o fomos conhecendo e a possibilidade de um luto coletivo que nos possa confrontar com o não-sentido, com o vazio, com o medo, com a desumanização, mas principalmente, uns com os outros.
Vários movimentos da vanguarda artística surgiram após momentos traumáticos da história, momentos em que a humanidade mostrou novos alcances para a sua capacidade autodestrutiva - as Grandes Guerras que se sucederam ou a Guerra Fria com a sua ameaça atómica. Hoje, anos 20 do século XXI, vivemos mais uma vez perante o “fim do mundo”. O projeto busca, assim, inspiração nos movimentos artísticos históricos que surgiram em resposta a períodos de crise, como o Dadaísmo, a dança expressionista e o teatro do absurdo, para enfrentar os desafios atuais, como a crise ambiental e o sentimento de impotência diante de sistemas globais complexos.
Uma das características distintivas de “Morrer Pelos Passarinhos” é o seu foco na participação ativa do público. Envolvendo diretamente participantes locais, o projeto não apenas democratiza o processo criativo, mas fortalece a relação entre os artistas e a comunidade, permitindo que todos contribuam para a sua narrativa. “Morrer Pelos Passarinhos” funciona como um espólio de performances prontas a ativar e a adequar aos espaços e contextos de circulação aproveitando as suas diferentes características.
COLECÇÃO
#1: Godôs
Henrique Furtado Vieira e Lígia Soares
Explora a temática da espera, inspirando-se na obra "À espera de Godot" de Samuel Beckett. Esta performance consiste em tentar convencer as pessoas que caminham pela rua a irem ao palco de um teatro. Para persuadir essa pessoa, eles utilizam um texto que contém vários argumentos criados para superar as objeções comuns das pessoas, como falta de tempo, vergonha, medo. Enquanto esta interação acontece na rua, o público dentro do teatro assiste, vendo apenas os rostos dos artistas, que são filmados em tempo real com um telemóvel e partilhado por meio de uma conexão Zoom. Quando os transeuntes (godôs) acedem e se dispõem a ir para cena, então o público fica a conhecer a sua cara. O momento de encontro entre o transeunte e o público é imprevisível, encerrando a verdadeira riqueza desta proposta.
#2: Bocas
Henrique Furtado Vieira e Lígia Soares
Em “Bocas”, inspirada na peça Boca (Not I em inglês) de Samuel Beckett, Henrique Furtado Vieira e Lígia Soares estão nus, e deambulam entre o público. Ambos seguram um telemóvel na zona da boca, e nos telemóveis vêem-se as imagens filmadas das próprias bocas dos performers. Essas bocas virtuais têm então um diálogo entre elas. Os corpos estão por trás dos ecrãs, e vão reagindo performativamente. A tensão entre a comunicação digital e a comunicação física é palpável, especialmente quando os performers se confrontam com a realidade das suas interações digitais e a desconexão que isso pode causar. Uma performance trágico-cómica que espelha a nossa relação com os dispositivos tecnológicos e o consequente abandono e solidão dos corpos.
#3: Apóstrof’apocalipse
com público / participantes da oficina de criação
É um acontecimento sonoro e textual que envolve o público. O público entra numa sala escura, e vão-se alternando acontecimentos sonoros diversos (sons de gado e badalos, máquinas de mineração, tsunami, explosões de guerra) que envolvem os espectadores imersos na escuridão, e textos que são karaokes poéticos para o público dizer em voz alta e em uníssono. Estes karaokes são poemas sonoros em que uma linguagem desmembrada concorre lúdica mas vertiginosamente para frases incontornáveis. A escolha dos temas abordados, desde a natureza intrínseca da palavra e da carne até questões sociais como trabalho, capitalismo e desigualdade, oferece um contacto do público com questões polémicas enquanto se envolvem ativamente na performance.
#4: Butôdadá
com participantes da oficina de criação
Em “Butôdadá”, os participantes da oficina de criação fazem solos coreográficos e vocais, em que exploram premissas e princípios inspirados da dança Butoh e do dadaísmo. É uma dança vocalizada que explora a relação entre língua, cara e corpo, e que leva a um estado de "crise" que se revela de maneira muito diferente para cada performer. O espaço é agora um espaço principalmente instalativo ou expositivo. Os espectadores deambulam na sala e podem-se aproximar de cada performer a fazer o seu solo improvisado.
#5: Ode Triunfal
com Iqbal Hossain
“Ode Triunfal” vai buscar o nome ao poema de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa). Esta performance acontece num espaço público ao ar livre, como uma praça ou um pátio. Consiste num workshop orientado por Iqbal Hossain, imigrante bengali em Lisboa, que vende vestuário e brinquedos nas ruas da cidade. Iqbal ensina os espectadores a lançarem para o céu brinquedos voadores luminosos. Distribui esses brinquedos aos espectadores e explica como se faz para que este voe bem alto, dando várias dicas e exemplificando, mas também fazendo algumas considerações poéticas e políticas sobre o significado de voar, trabalhar e atravessar fronteiras.
#6: Prova de insectos
Intervalo / pausa
A ação de degustação de insetos pode ser inserida entre duas performances de modo a gerir a transição de espaço. Este convite a fazer uma pausa e a relaxar, vive no contraditório com o impacto que, para a maioria das pessoas, tem provar insectos pela primeira vez. Como preparar o estômago para o futuro? Como expandir os horizontes gastronómicos e tentar ultrapassar o nojo através da certeza de estar finalmente a agir de acordo com a sustentabilidade e o consumo responsável? O menu é constituído por larvas e grilos.
#7: Conversa Pós-espetáculo com Público
moderada por Chat GPT
Olá a todos! Sou o ChatGPT, uma inteligência artificial desenvolvida para interagir e comunicar através da linguagem natural. Estou aqui hoje para participar na conversa pós-espectáculo sobre o projeto "Morrer pelos Passarinhos", ao lado dos artistas Henrique Furtado Vieira e Lígia Soares. Estou ansioso para contribuir com informações, insights e respostas às vossas perguntas. Como IA, não possuo sentimentos ou opiniões pessoais, mas com base na análise dos elementos fornecidos sobre as performances do projeto, posso dizer que as performances parecem ser intrigantes, envolventes e socialmente conscientes, abordando uma variedade de questões contemporâneas de maneiras criativas e inovadoras. A participação numa conversa pós-espetáculo pode ser uma oportunidade valiosa para os espectadores compartilharem as suas experiências, reflexões e perguntas com os artistas. Isso pode enriquecer a compreensão da obra e promover um diálogo significativo entre os criadores e o público.